Mídia e Poder - Claudia Giron

Discute sobre Mídia e Poder, orientado pelo Profº Dr. Dimas A. Künsch - “Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem.” (Khalil Gibran)

9.3.08

Quem nasceu primeiro: a mídia ou a massa?

Millôr

Qual a sua opinião sobre a mídia?

Vemos muitos exemplos de falta de ética e de qualidade na mídia. Um dos assuntos mais discutidos atualmente é a quantidade de programas de TV banais, matérias vendidas, publicidades manipuladoras, entre tantas outras coisas do gênero.

E você, concorda com a visão de que a mídia massacra a inteligência e aliena as pessoas? A mídia seria o grande monstro que criamos para nos destruir?

Qual a nossa posição ante a esse poder? Exterminá-lo?

Eu diria que concordo em partes. Partindo do meu ponto de vista, a mídia realmente tem um grande poder e influência na vida das pessoas. Também é fato que existem muitos profissionais que utilizam essa força, digamos, de uma forma errônea. Assim como existem profissionais anti-éticos na medicina, na engenharia e em todas as outras áreas. Mas, isso não significa que a mídia seja algo ruim. Ela é uma ferramenta, e como toda ferramenta pode ser usada de diversas maneiras.

Se existe um grande poder de alienar, também existe um grande poder de difundir idéias e educar. Tudo depende de quem faz e de quem consome a mídia.

A evolução da tecnologia e da comunicação diminuiu distâncias. Hoje, temos contato com pessoas de todos os cantos do mundo e informação surgindo de diversos lugares. Você pode escolher se quer ver, ler ou ouvir algo que banaliza a sua inteligência ou ver, ler e ouvir diversas coisas que lhe fazem pensar de outras maneiras, avaliando outros pontos de vista e conhecendo situações e informações diferentes. Ou seja, ao mesmo tempo que há a possiblibidade de se reduzir a uma informação massificada, quadrada e unilateral, também há a possibilidade de se questionar e buscar outras fontes para formar uma nova opinião, alimentada de vários pontos.

É bem certo que tem muita coisa ruim e sem qualidade circulando por aí. Mas elas só foram feitas e circulam porque existe espaço, porque as pessoas consomem esse tipo de coisa. É muito fácil criticar a mídia, dizer que não presta. Difícil é mudar o canal.

As pessoas reclamam do Big Brother, mas ele só existe porque tem audiência, e muita! De quem é a culpa então? Das pessoas que ganham rios de dinheiro produzindo esse programa ou das pessoas que consomem e gastam pra receber o programa?

Trabalho em um canal de TV cultural e sinto todos os dias o quão difícil é fazer as pessoas consumirem a cultura que tanto dizem querer. O que essas pessoas não enxergam é que quem dita as regras do conteúdo é a audiência. E quem faz a audiência? Elas mesmas.

Se um programa (e insisto no exemplo da televisão porque é uma área da qual tenho propriedade para falar) não tem audiência, não faz sucesso, ele automaticamente é retirado da grade de programação porque “não vende”. Já um programa que atinge picos de audiência, será mantido enquanto estiver rendendo verbas.

Sei que o problema tem um alcance bem maior e raízes sociais profundas. Também é lógico que a situação da massa não irá mudar da noite para o dia, se é que irá mudar.

O que proponho é que as pessoas que notam as falhas da mídia podem ajudar a mudar essa situação. Se cada um, ao perceber que um caminho está errado, fizer a sua parte, será um excelente começo para uma revolução na forma como a mídia é feita.

E se não funcionar? Se não funcionar para mudar a massa, tudo bem. Ao menos você terá fugido da massificação e será uma pessoa diferente, que ao invés de apenas criticar a mídia, sai em busca de outros pontos de vista e contribui para que a mídia exerça a finalidade para a qual foi criada: ser uma ferramenta. Não uma ferramenta que destrói, mas que ajuda a construir.

Defendo que a mídia precisa de certos limites críticos, que a legislação de concessão deve ser revista e que há muito o que mudar em quem faz e controla a mídia. Só que é aquela velha história: para mudarmos o mundo, é necessário começar mudando a nós mesmos.

criado por claudinhagiron    16:40 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por galvão — 23.3.08 @ 23:38

    O Big Brother fatura só com as ligações o dobro do que o Criança Esperança consegue durante toda a campanha.
    Hebert Vianna bem definiu..
    “Pelo amor de Deus, eu não quero usar nada nem ninguém, nem falar do que não sei, nem procurar culpados, nem acusar ou apontar pessoas, mas ninguém está percebendo que toda essa busca insana pela estética ideal é muito menos lipo-as é muito mais piração?
    Uma coisa é saúde outra é obsessão.
    O mundo pirou, enlouqueceu.
    Hoje, Deus é a auto-imagem.
    Religião é dieta.
    Fé, só na estética.
    Ritual é malhação.
    Amor é cafona, sinceridade é careta, pudor é ridículo, sentimento é bobagem.
    Gordura é pecado mortal.
    Ruga é contravenção.
    Roubar pode, envelhecer não.
    Estria é caso de polícia.
    Celulite é falta de educação.
    Filho da puta bem sucedido é exemplo de sucesso.
    A máxima moderna é uma só: pagando bem, que mal tem?
    A sociedade consumidora, a que tem dinheiro, a que produz, não pensa em mais nada além da imagem, imagem, imagem.
    Imagem, estética, medidas, beleza.
    Nada mais importa.
    Não importam os sentimentos, não importa a cultura, a sabedoria, o relacionamento, a amizade, a ajuda, nada mais importa.
    Não importa o outro, o coletivo.
    Jovens não tem mais fé, nem idealismo, nem posição política.
    Adultos perdem o senso em busca da juventude fabricada.
    Ok, eu também quero me sentir bem, quero caber nas roupas, quero ficar legal, quero caminhar correr, viver muito, ter uma aparência legal mas…
    Uma sociedade de adolescentes anoréxicas e bulímicas, de jovens lipoaspirados, turbinados aos vinte anos não é natural.
    Não é, não pode ser.
    Que as pessoas discutam o assunto.
    Que alguém acorde.
    Que o mundo mude
    Que eu me acalme.
    Que o amor sobreviva.
    ‘ Cuide bem do seu amor, seja ele quem for ‘

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