Mídia e Poder - Claudia Giron

Discute sobre Mídia e Poder, orientado pelo Profº Dr. Dimas A. Künsch - “Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem.” (Khalil Gibran)

21.3.08

O Fantasma do Gelo

Por: Claudia Giron

É comum acontecerem fatos curiosos nas casas. Às vezes são portas que batem, luzes que se acendem, móveis que rangem ao calar da noite, barulhos estranhos que surgem. E nós, que desconhecemos as verdades sobrenaturais, estamos sempre buscando respostas para justificar esses acontecimentos anormais.
Certa vez, um mistério pairou sobre nossa casa. Minha mãe abriu a geladeira e teve uma surpresa: tomate congelado, água congelada, carne congelada, tudo congelado. Diante da situação inusitada e sem imaginar o que estaria por vir, a primeira idéia que lhe passou pela cabeça foi que a geladeira estava com problemas. Pacientemente ela descongelou tudo, jogou o que havia estragado fora, limpou a geladeira e percebeu que o botão que regulava a temperatura estava marcando “4”. Aliviada por não ter que trocar o eletrodoméstico, ela saiu questionando todos em casa pra saber: “Quem desregulou a geladeira?”. Mas ninguém havia tocado no botão.
Como o problema estava resolvido, ela arquivou o caso e deu tudo por encerrado.
No dia seguinte, ela abre a geladeira e… leite congelado, alface congelado, feijão congelado, tudo congelado. Dessa vez, o primeiro passo foi verificar o tal botão. E lá estava ele novamente marcando “4”. Não tão pacientemente quanto na primeira vez, ela descongelou tudo, limpou a geladeira, ajustou o botão, tentou mais uma vez perguntar e ninguém havia mexido nele. Dessa vez ela usou a justificativa de que devia ter esbarrado e alterado a temperatura sem querer.
Mais dois dias repetiram essa cena. Agora, já havia eliminado até a possibilidade de esbarrar acidentalmente, porque o botão sempre marcava exatamente “4”. Era realmente muito estranho. Ela pensava em várias possibilidades, simulava situações, e nada dava sentido para aquelas ocorrências. Não havia nenhuma hipótese que conseguisse justificar o fato misterioso que congelava tudo.
Já esgotada desse mistério absurdo, minha mãe desabafou com meu pai:
- Não agüento mais. Quase uma semana congelando as coisas. Quem será que está rodando esse botão???
E eis que a criaturinha loira ouve a conversa e, com a chupeta no cantinho da boca responde:
- Fui eu Mamãe, é que eu fiz “cato ano”!!!!!! E indica a quantidade com os dedinhos.
A única alternativa que restou pra minha Mãe foi sorrir, me beijar e, me abraçando, explicar que nem todo número quatro era encantador como a minha idade. Ahhh.. se além da geladeira eu tivesse aprendido a congelar também o tempo.

criado por claudinhagiron    18:39 — Arquivado em: Crônicas

1 Comentário »

  1. Comentário por Michele Gandara — 26.3.08 @ 10:52

    Ótima Cláudia…
    Ando sem tempo para fazer os comentários e até mesmo para ler, mas essa tive que deixar o meu comentário, por acaso não vai querer escrever um livro???? Acho que escrever super bem! Tem talento!
    bjs

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