Mídia e Poder - Claudia Giron

Discute sobre Mídia e Poder, orientado pelo Profº Dr. Dimas A. Künsch - “Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem.” (Khalil Gibran)

18.4.08

Mídia - Imagem Real?

Foto manipulada pela revista Isto É

Quais os caminhos adotados pela mídia em um universo tomado por letras, imagens e sons?

É possível comparar as expectativas que havia sobre a fotografia em seu surgimento e sua atual aplicação.

De fato a fotografia parecia trazer a solução para o que se pode chamar de desvio da realidade. Pela lógica, chega-se à conclusão de que a fotografia não permite mentiras ou enganos porque é a reprodução real da cena.

Porém, da mesma forma que o homem subverteu a escrita, também o fez com a fotografia. O domínio da técnica e a criação de conceitos permitiram que o fotógrafo entendesse que ele fazia uma reprodução da cena real, mas que também lhe era possível escolher de que forma retratar essa cena. Isso pode ser feito simplesmente com manipulação de luz, de objetos ou com escolha de ângulos. Além disso, a compreensão de como fazer ou alterar uma imagem chegou a tal ponto que, hoje, pode-se mais que escolher o ângulo. É possível montar e desmontar a cena valendo-se de tecnologia digital.

A atualidade chegou ao que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida”, um conceito de velocidade e dinâmica que se misturou à vida moderna. A fotografia se destacou no cenário das comunicações e se transformou de tal forma que deixou a estática para se tornar animada, ao ser aplicada em uma velocidade imperceptível aos olhos. A utilização de imagens seqüenciais nesses parâmetros é a fórmula do vídeo.

Esse domínio da técnica e de uso ultrapassou seus próprios limites e hoje muitas das discussões deixaram a mídia impressa e se voltaram para a televisão, que teve sua origem na fotografia.

A TV e a sociedade interagem de forma que uma altera a outra num ciclo vicioso. Informações e tendências difundidas pela TV influenciam a atitude da sociedade ao mesmo tempo em que a sociedade inspira e modifica a televisão. E esse ato frenético de troca de influências gerou o cenário atual, onde a grande chave é muita informação e pouca complexidade. A vivência da “modernidade líquida” não deixa espaço para que o público se detenha em assuntos complexos. Tudo precisa ser muito rápido e se enquadrar no formato “quantidade x velocidade”.

O resultado é uma invasão de imagens diversas, sem um conteúdo profundo e produtivo. Um acúmulo de informações, visuais ou não, que não preenchem as necessidades individuais. Todos os dias, as pessoas recebem milhares de mensagens que não vão interferir em suas vidas. É um fenômeno que faz com que quanto mais se consome, mais se quer consumir. E esse espaço nunca é suprido.

Nos dias atuais, tudo precisa de um conceito televisivo para existir e funcionar. A grande maioria dos agentes sociais conhece essa tendência e tenta se enquadrar na “televisibilidade”. São diversas as características e os processos que foram desencadeados pela televisão. Entre eles, o aumento da possibilidade de manipulação, que vai desde a atuação do “personagem”, passando pelo cenário e contextualização, até chegar na edição. Após a edição feita pelo veículo, ainda há o teste do zapping.

Como confiar e administrar os casos gerados por essa nova realidade midiática? O público fica preso à correnteza de acontecimentos que surgem desse cenário, intermediando e contribuindo inconscientemente para esse processo.

criado por claudinhagiron    10:36 — Arquivado em: Televisão

Nenhum Comentário »

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário


Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://claudiagiron.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.