22.4.08
Sin City (Sin City)

EUA – 2005 – 126 min. - Aventura
Mais que uma dica de filme, quero deixar um registro de comparação de linguagens de comunicação e da transcrição em mídias diferentes.
Com uma equipe técnica cheia de celebridades, o filme Sin City é uma inovação no mercado cinematográfico. Muitas foram as adaptações de Histórias em Quadrinhos para o cinema, mas nenhuma conseguiu ser tão fiel à obra, tanto em matéria de roteiro, como na produção audiovisual.
Uma das primeiras histórias a ser levada às telas foi a de Hulk. Que embora carregasse os traços do personagem original, deixou de ser uma HQ para se tornar um filme. Já em Sin City, a impressão é que a revista saltou para uma tela gigante com movimento, perdendo apenas os balões. Em alguns momentos, a “realidade” do filme chega a se confundir com as linhas despojadas do desenho.
A linguagem do cinema é muito próxima da linguagem utilizada nos quadrinhos, começando pela sua base, o “Story Board”, que é uma técnica decorrente da HQ. No cinema, assim como na HQ, a história é feita quadro a quadro, há uma manipulação crescente para prender a atenção, e a contextualização é interpretada pelo espectador, através das imagens carregadas de signos que fazem referência ao tipo de localização que querem mostrar. O diretor de Sin City, utilizou o próprio quadrinho como Story Board, para não perder nenhum traço da história.
Rico em detalhes, o longa foi totalmente filmado em “cromaqui”. Para atender rigorosamente ao quadrinho, o filme precisou de uma edição muito criteriosa, inovações na área de efeitos especiais, muita técnica e um investimento altíssimo. E o próprio Frank Miller foi quem desenhou os fundos, aplicados posteriormente. Essa foi uma das exigências do autor para a adaptação. O uso do preto e branco e a ênfase às cores em determinados objetos e situações, mostram a fidelidade da produção à obra.
Muita maquiagem e a ajuda de efeitos computadorizados conseguiram aproximar ao máximo os personagens a um tom próprio das HQ’s, que é a transformação para um “quase humano”. Os atores estão tão caricaturais quanto os desenhos da HQ. A narração é pausada e recheada de expressão, assim como nos balões.
A iluminação é outro detalhe que não pode ser esquecido. Um trabalho minucioso deu às cenas a iluminação exata da técnica “noir” utilizada por Frank Miller.
Um recurso pouco notado, mas muito presente no filme, é o efeito de “vento”, que dá movimento às roupas e aos cabelos dos personagens. E a sensualidade e o drama, constantes no quadrinho, estão bem retratados no filme.
criado por claudinhagiron
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