Mídia e Poder - Claudia Giron

Discute sobre Mídia e Poder, orientado pelo Profº Dr. Dimas A. Künsch - “Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem.” (Khalil Gibran)

9.4.08

Mídia no Divã

Nosso compromisso é com a verdade e a imparcialidade.

Esse é o discurso de muitas mídias, mas será que os profissionais estão levando esse lema a sério? O fato de que existe um ser humano intermediando o objeto e o receptor da mensagem parece não ser considerado nesse discurso. 

Há uma necessidade de avaliação crítica da linguagem utilizada na mídia. Refletir sobre a consciência ao produzir um conteúdo e, sobretudo, qual o impacto que ele causa uma vez que a “sociedade virtual”, fruto de mídias como a Internet e a televisão, influencia a “sociedade real”.

Por mais que o comunicólogo produza a mensagem sendo o mais imparcial possível, ainda haverá indícios de opinião, afinal a percepção humana é inerente a todos e individual.

É preciso analisar a interação do público com a mídia. Como as pessoas recebem as informações: em qual formato (textos, imagens, áudios), com qual velocidade isso os atinge e que percepção é gerada.

Além da visão da produção midiática e de como evitar a parcialidade, também entra em análise a geração dessa “segunda dimensão”, onde as pessoas têm um contato maior com o mundo virtual que através da experiência direta. Qual a ponderação dessa vantagem?

Hoje, principalmente por causa da globalização, pode-se conhecer diferentes partes do mundo. Os brasileiros sabem sobre japoneses, australianos, mas através da visão de quem? Até onde o avanço da comunicação beneficiou e até onde prejudicou a humanidade?

Nota-se que as pessoas aceitam enxergar o mundo através dos olhos da mídia e, na maioria das vezes, sem se preocupar de onde vem a informação. Por outro lado, qual a preocupação desses que fazem o papel de “olhos” com a responsabilidade de transmitir a realidade? Como fazer com que essa verdade, que através do olhar humano se torna relativa, chegue ao receptor final o mais fielmente possível? Não é apenas um comportamento da massa, mas também os próprios envolvidos na mídia deixam de se importar com as fontes e parecem aceitar qualquer informação que lhes aparece. Um bom exemplo disso está nos veículos que sintetizam ou simplesmente fazem pequenas alterações nas notícias de outros, sejam concorrentes ou parceiros.

A mídia está fadada a vir de fonte única, de um ponto de vista diferenciado apenas por sinônimos?

Embora seja praticamente impossível representar a realidade, é preciso ter ao menos diversas fontes e opiniões para que se possa avaliar os objetivos e a fidelidade dos fatos narrados por cada veículo.

criado por claudinhagiron    10:42 — Arquivado em: Televisão

8.4.08

Calvin & Haroldo

criado por claudinhagiron    11:26 — Arquivado em: Humor

Os Piores Textos de Washington Olivetto

Livro - Os Piores Textos De Washington Olivetto
Autor: Washington Olivetto
Editora: Planeta Editora
Por: Claudia Giron

O livro “Os Piores Textos de Washington Olivetto” da Editora Planeta, reúne em 230 páginas, artigos que WO escreveu para mídia: jornais, revistas, etc. Após cada artigo, segue um comentário do autor, para complementar ou mesmo atualizar os textos, pois as publicações dos artigos foram feitas em épocas variadas.

Bem humorado e desenvolto, ele é um dos maiores publicitários do Brasil, e porque não dizer, o maior corinthiano. Traz, através desses textos, histórias, viagens e experiências que servem de parâmetros e dicas para outros profissionais da área de comunicação. Mostra claramente o quanto um publicitário precisa ser bem informado, sobre absolutamente TUDO. Conhecer a cultura, a arte, a geografia, a gastronomia e o comportamento de muitos povos é que faz Washington ser um publicitário de sucesso.

Washington Olivetto realmente escreve bem, e sabe disso. Intitulou o livro como piores textos apenas porque seus textos publicitários são, sem dúvida, melhores. Segundo o próprio autor, ele escreve melhor e cumpre muito bem a missão quando o assunto é propaganda.

O autor dispensa comentários, uma vez que é um dos publicitários mais conhecidos, tanto que recebeu o título de Golden Boy da Publicidade Brasileira. Já o livro conta um pouco sobre a vida de Washington e, conseqüentemente, um pouco sobre a história da publicidade no Brasil, além de citações de grandes gênios e obras, da música, da culinária, do cinema, entre outros.

criado por claudinhagiron    10:47 — Arquivado em: Dicas: Livros, Filmes e Afins

Como funciona o IBOPE?

Quem nunca se pegou trocando de canal com o pensamento: “Ahhh, não vou dar ponto de audiência para esse programa!”?

Pois é, mas você sabia que não é você que dá essa pontuação de audiência?

Muitos mitos giram em torno do misterioso IBOPE. E, ao contrário do que muitos pensam, o medidor de audiência não está embutido nas televisões. Ele é um aparelho chamado peoplemeter, que se assemelha a um decodificador de TV a Cabo. O aparelho tem um dispositivo que identifica qual freqüência de canal a tv está sintonizada, em que horário essa sintonia aconteceu, quando a tv foi ligada/desligada e quanto tempo se permaneceu em cada canal. Essas informações são enviadas para a central do IBOPE, que gera relatórios a partir dos dados colhidos.

O IBOPE – Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, faz um cálculo de amostragem que considera sexo, idade, classe social, escolaridade e moradia, e seleciona casas que tenham esse perfil. As pessoas que aceitam participar tem o peoplemeter instalado em casa. A partir dessas amostras, eles calculam estatisticamente a audiência.

Você deve achar estranho, né? Afinal, nunca conheceu ninguém que tivesse um peoplemeter em casa. É porque essas pessoas se comprometem, através de contrato, a não divulgar a ninguém que estão participando da pesquisa. Essa medida é tomada para que os veículos não assediem os participantes, para não influenciar a pesquisa.

Apenas o Brasil e o Chile possuem a medição em tempo real e, ainda assim, São Paulo é a única capital brasileira com essa tecnologia. Nas outras localidades, o IBOPE recolhe as informações, processa os relatórios e envia o resultado para os veículos no dia seguinte.

O IBOPE atua somente nas seguintes capitais: Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Grande Porto Alegre, Grande Florianópolis, Grande Belo Horizonte, Grande Brasília, Grande Salvador, Grande Recife, Grande Fortaleza e Grande Vitória e é a única empresa que atua nesse ramo no país.

criado por claudinhagiron    10:35 — Arquivado em: Sem categoria

Existe Romance no Fascismo? (I. II. III.)

                                                   

 

Por: Thiago Zanetin (Thiagão)

Os(as) senhores(as) certamente recordam, ou ouviram falar de Gabriele Sandri, o jovem torcedor da Lazio morto numa emboscada por um policial italiano, em Arezzo, quando seguia para Parma, na Emilia-Romagna.

Gabriele era DJ. Poucos meses antes de sua morte, freqüentava - sozinho - a Curva Nord do Olimpico, de Roma. A Nord é dominada (essa é a palavra) pelos ultrà - os organizados da Itália - Irriducibili, uma das torcidas mais politizadas da Europa.

Gli Irriducibili adotam um posicionamento de extrema direita; são fascistas assumidos. Entre seus cartazes, faixas, panos e adereços, vêem-se com clareza citações ao regime de Mussolini, tais quais “Lazio, mea Lux´´ - alusão a “Dux, mea Lux´´(1) - e brados do fascio que se transformam em gritos de guerra potentes - “Boia Chi Molla´´(2) e “Avanti Ragazzi di Budapest´´(3), por exemplo.

Gabriele estava entre essas pessoas para torcer pela Lazio, mas não necessariamente poderia ter as mesmas preferências políticas ou ideológicas. O fato é que sua morte está longe de criar um mártir sobre a segurança nas praças esportivas, mas parece ter se tornado uma bandeira forte entre os direitistas - mesmo que, até agora, não haja uma só evidência publicada sobre Sandri ser fascista, ou não.

criado por claudinhagiron    10:30 — Arquivado em: Mundo

I.

O Fascismo começou com Mussolini, nos anos 1920, mas seus preceitos estavam lançados desde a primeira destruição da Itália, na I Guerra Mundial (1914-1918). A Guerra no mundo, naquele momento, foi o “grand finale´´ de uma série de conflitos que a Itália enfrentava desde sua unificação (1860) e posteriores à mesma.

Nesse contexto, surge Benito Mussolini. Comunicador nato e orador de primeiríssimo time, Benito soube jogar como ninguém com o frágil imaginário devastado do italiano, que deixara as esperanças de Mamelli em segundo plano após a derrota.

Mussolini assumiu o poder prometendo vitória. Não a vitória daquela Itália quebrada, unificada nos tratados, mas ainda dividida em seus antigos reinos, repúblicas e dialetos. Quem venceria era o povo italiano. Do Norte ao Sul. De Verona a Napoli, de Venezia a Reggio-Calabria, de Padova a Vibo Valentia.

O ditador se pôs a resgatar, em sua visão, os grandes feitos que teriam feito do povo italiano um grupo seleto e superior aos demais - repito: na visão de Mussolini - uma tentativa desesperada de retornar à Roma imperialista, senhora do mundo.

Do grande Império Romano, surgiu a Roma fascista, o centro do regime totalitário [NOTA: mal soubera Mussolini que os germânicos - bárbara ou civilizadamente - decretariam nova queda desta citadela].

Das culturas absorvidas pelo antigo Império, Benito aboliu os dialetos e, oficialmente, unificou o idioma italiano. O “Ave´´ virou “Seig Heil´´(4) ou “A noi, cammerata´´. O “Delenga Cartago´´ era a marcha à Etiópia, “Faccetta Nera´´(5). O exército eram os “Camicie Nere´´.

Dos tempos de vassalagem e senhoria (séculos XI ao XVI, quando a maioria das atuais comuni italianas cresceram e se desenvolveram sobre regime podestà) ele tirou seu “título de nobreza´´: era o duque, “il duce´´, a autonomia.

Ao contrário de Hitler, Mussolini não pregava abertamente a morte de grupos que considerasse inferiores, fossem eles étnicos - salvo a questão do avanço à África - ou religiosos. Todos o que fossem italianos poderiam se beneficiar, mas (e esse é o ponto) só eram considerados italianos os que adotavam o Fascismo.

Consciência nacionalista extremada. Desespero. Quem pode julgar o que o italiano estava pensando, naquela época? “L´Italia agli italiani´´, “Meglio morto che rosso´´, “Credere, obbedire e combattere´´, “Grazie a Dio sono italiano´´ e “Vincere e vinceremo´´ eram bordões simples e tão poderosos popularmente quanto se revelariam fúnebres no pós-II Guerra.

Até hoje há quem acredite que Mussolini foi, ou é, historicamente mal-compreendido. A nova Carta-Magna italiana, de 1948, jamais permitiria que o Fascismo se restabeleça na Itália em tais proporções, mas não o pode impedir de se reestabelecer; o partido fascista existe, até hoje.

criado por claudinhagiron    10:28 — Arquivado em: Mundo

II.

As bases da democracia italiana permitem que todos se expressem livremente e defendam suas idéias, desde que não o façam por intermédio de força bruta. E essas idéias podem ser, sim, fascistas.

Já ouviram falar de uma banda chamada ZetaZeroAlfa? O grupo romano tem um dos melhores instrumentais de rock da Itália. Tocam fácil, um som muito gostoso. Mas, em suas letras, defendem o Fascismo de forma quase constrangedora.

Como eles, há outros. E, nos outros, e em sites de manifestos pregando a volta do “Duce´´ [NOTA: a volta do conceito, pois Mussolini está morto há muito tempo] quase sempre há um banner com os dizeres “Giustizia per Gabriele (Sandri)´´.

Apoio à causa da Lazio? Não. Bem mais provável que Sandri tenha, de certo modo, se tornado uma bandeira, um mártir, ainda que timidamente, ainda que ele jamais tenha sido fascista, de um fenômeno que se alastra no undergroung: a (sub-)cultura fascista.

criado por claudinhagiron    10:27 — Arquivado em: Mundo

III.

Não, as pessoas não sairão às ruas com placas estampadas com a foto de Gabriele. Mas não nos espantemos se já existirem camisas e, em datas pontuais, forem feitas homenagens, não só na Curva da Lazio, ou de suas aliadas, mas também fora da Itália.

O Fascismo ganhou ares de proibição, contravenção e por isso mesmo vem gerando curiosidade na juventude que não o viveu. Também agora, o italiano jovem está muito frustrado - em proporções assombrosamente menores às do início do século passado, mas está. A Itália tem um dos padrões de vida mais caros da Europa. O jovem italiano que sai da vida universitária não consegue encontrar um emprego que o mantenha, sozinho; outros o conseguem com facilidade e vêem as pilastras da velha cultura judaico-cristã em que acreditavam, ruir à acessibilidade que conquistaram.

Procure por material fascista no Youtube. Leia os comentários ou converse com os autores e se surpreenda: é a gente de hoje, de 1990 a 1992, no máximo, que cultua a memória de Mussolini e a prosperidade aparente da Itália fascista.

O Fascismo tem sido um tema muito recorrido, ultimamente, principalmente no cinema italiano. A produção histórica “romanceada´´ ao mesmo tempo que foca o ponto de vista do perseguido do regime, o mostra sempre sendo tolhido de um ambiente muito agradável, organizado, limpo. Nas mãos de Roberto Benigni, isso se torna “La Vita E´Bella´´, e a comprovada verdade histórica fascista é chicoteada com sutileza o bastante para entendermos sua violência.

O que se passará, porém, na mente daquele jovem desesperado que ouve “Me ne frego´´ e vê muitos imigrantes e citadinos italianos de outras nações [NOTA: a Itália precisa de integração internacional a seu quadro de cidadãos, pois teve unificação nacional tardia] ocuparem (em sua concepção) um lugar que era seu?

Deverá esse italiano “marchar para não morrer´´(6)? Para ele, a guarda de Monte Castello é uma brigada heróica, e justamente porque foi derrotada. A derrota, o trágico, o elemento do dito amor incondicional de quem morreu defendendo sua pátria - ainda que Monte Castello fosse uma tomada sem a menor importância estratégica) é um elemento de paixão, de romance.

Pode ser que Mussolini seja aquele apaixonado dos livros romancistas que ganhou sua donzela (a Itália) em confronto com um inimigo voraz - a miséria do pós-Guerra. Da sub-cultura ao culto, da instalação à intolerância, é sempre uma estrada pequena. ZetaZeroAlfa cantando a Gabriele com a saudação romana, com o público repetindo o “Seig Heil´´ a plenos pulmões.

Será esse o romance que existe no Fascismo? Se for, quão felizes são os céticos desiludidos.

[NOTAS]

(1) “Duque, a minha luz´´.
(2) um dos lemas de Mussolini, que diz “Quem abandona é um assassino´´.
(3) canção em homenagem à resistência aos soviéticos.
(4) a saudação fascista.
(5) música feita para garantir incentivo popular à invasão de Mussolini à África.
(6) “Marcciare per non morire´´, outro lema do Fascismo que pregava a italianidade como superior, desde que associada ao sistema.

criado por claudinhagiron    10:24 — Arquivado em: Mundo

7.4.08

Wikipedia recebe doação de US$ 3 milhões

Fonte: Portal Terra - Tecnologia

A Fundação Wikimedia, responsável pela popular enciclopédia online Wikipédia, recebeu uma doação de US$ 3 milhões (pouco mais de R$ 5,17 milhões) da Fundação Alfred P. Sloan. A doação, a maior da história da Wikimedia, permitirá manter a enciclopédia, que já atravessou graves crises econômicas, em bom estado na rede.

"A Wikipedia e seus projetos irmãos têm um enorme impacto mundial, mas a organização por trás deles vem operando com um orçamento muito reduzido, incapaz de buscar colaborações, executar projetos ou até mesmo arrecadar fundos com eficiência", comentou Sue Gardner, diretora-executiva da Fundação Wikimedia, de acordo com informações do 20minutos.es.com.

De acordo com comunicado da Fundação Wikimedia, parte do dinheiro recebido será destinado ao desenvolvimento de uma ferramenta chamada Flagged Revisions, que vai permitir aos editores experientes melhorar a qualidade dos artigos da Wikipedia.
A Fundação também planeja desenvolver outros formatos fora da Internet, como livros ou DVDs.

"Este apoio institucional da Sloan nos permitirá avançar em alguns objetivos-chave da Wikipedia, como aumentar a qualidade, ampliar a participação e a distribuição de conhecimento livre às pessoas sem conexão com a Internet", acrescentou Gardner.

criado por claudinhagiron    10:11 — Arquivado em: Sem categoria

5.4.08

Por que Playboy?

Certamente você já comentou: “Ihhh, essa vai acabar posando pra Playboy”.
E também sabe sobre a expectativa que existe em descobrir quem será a próxima capa ou quanto foi oferecido para fulana ou beltrana. E já deve ter visto pessoas que apostam se a celebridade “X” aceitaria posar ou não.
Mas você já parou para pensar na Playboy como mídia? Eu poderia apostar que não.
Se o grande lance são as fotos da mulher da capa, então porque o conteúdo editorial é tão bem trabalhado? E se essas mesmas fotos estão disponíveis gratuitamente na internet, porque a revista é top de vendas no país? Qual o critério para escolher a capa e a entrevista principal? E, acima de tudo, se a intenção é ser um periódico erótico, porque há tantas farpas de política embutidas?
Pois foram essas e outras questões que motivaram 7 mulheres e 2 homens a apurar o que é a Playboy como mídia, quais as suas influências, entre outras coisas. Aguardem os próximos posts..

criado por claudinhagiron    22:54 — Arquivado em: Mídias em Foco

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