9.4.08
Mídia no Divã

Nosso compromisso é com a verdade e a imparcialidade.
Esse é o discurso de muitas mídias, mas será que os profissionais estão levando esse lema a sério? O fato de que existe um ser humano intermediando o objeto e o receptor da mensagem parece não ser considerado nesse discurso.
Há uma necessidade de avaliação crítica da linguagem utilizada na mídia. Refletir sobre a consciência ao produzir um conteúdo e, sobretudo, qual o impacto que ele causa uma vez que a “sociedade virtual”, fruto de mídias como a Internet e a televisão, influencia a “sociedade real”.
Por mais que o comunicólogo produza a mensagem sendo o mais imparcial possível, ainda haverá indícios de opinião, afinal a percepção humana é inerente a todos e individual.
É preciso analisar a interação do público com a mídia. Como as pessoas recebem as informações: em qual formato (textos, imagens, áudios), com qual velocidade isso os atinge e que percepção é gerada.
Além da visão da produção midiática e de como evitar a parcialidade, também entra em análise a geração dessa “segunda dimensão”, onde as pessoas têm um contato maior com o mundo virtual que através da experiência direta. Qual a ponderação dessa vantagem?
Hoje, principalmente por causa da globalização, pode-se conhecer diferentes partes do mundo. Os brasileiros sabem sobre japoneses, australianos, mas através da visão de quem? Até onde o avanço da comunicação beneficiou e até onde prejudicou a humanidade?
Nota-se que as pessoas aceitam enxergar o mundo através dos olhos da mídia e, na maioria das vezes, sem se preocupar de onde vem a informação. Por outro lado, qual a preocupação desses que fazem o papel de “olhos” com a responsabilidade de transmitir a realidade? Como fazer com que essa verdade, que através do olhar humano se torna relativa, chegue ao receptor final o mais fielmente possível? Não é apenas um comportamento da massa, mas também os próprios envolvidos na mídia deixam de se importar com as fontes e parecem aceitar qualquer informação que lhes aparece. Um bom exemplo disso está nos veículos que sintetizam ou simplesmente fazem pequenas alterações nas notícias de outros, sejam concorrentes ou parceiros.
A mídia está fadada a vir de fonte única, de um ponto de vista diferenciado apenas por sinônimos?
Embora seja praticamente impossível representar a realidade, é preciso ter ao menos diversas fontes e opiniões para que se possa avaliar os objetivos e a fidelidade dos fatos narrados por cada veículo.
criado por claudinhagiron
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