Mídia e Poder - Claudia Giron

Discute sobre Mídia e Poder, orientado pelo Profº Dr. Dimas A. Künsch - “Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem.” (Khalil Gibran)

23.10.08

Os Donos da Mídia

Um site está disponibilizando a maior base de dados sobre a comunicação no Brasil. O projeto foi iniciado por Daniel Hertz e tem James Görgen como um de seus continuadores.

O site mapeia os grandes conglomerados, os nomes dos concessionários de mídia e a manipulação do poder de informação, assim como, o envolvimento de políticos com esse monopólio. Vale muito a pena dar uma espiada nesse estudo.

http://www.donosdamidia.com.br/

criado por claudinhagiron    7:36 — Arquivado em: Sem categoria

20.10.08

Expansão do Mercado de Luxo

O crescimento é o desejo inerente a toda marca. Para isso, as empresas tendem a buscar novos públicos e mercados, consolidando sua expansão. Essa é a válvula propulsora para torná-las “Marcas Globais”.

Com o luxo não é diferente. O vislumbre de faturar novas oportunidades tem levado as grandes griffes a espalhar fábricas e lojas em diversos cantos do mundo. É nessa fase que nascem os grandes grupos que encadeiam fusões e parcerias.

Tendo em vista esses conceitos básicos, não é de se admirar o efeito de expansão de marcas de luxo que vem ocorrendo em países emergentes. Atualmente vemos no alvo das estratégias o fenômeno chamado BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), um bloco de países que estão com alta expansão econômica e geram oportunidades para o consumo.

criado por claudinhagiron    20:54 — Arquivado em: Marcas e Conceitos

Who Made Who?

Por: Thiago Zanetin

      A mídia manipula a demanda ou a demanda vê o que quer na mídia?
      Sou apaixonado por futebol. Tanto, que torcer só por um time, aqui no Brasil, não me basta. Arrumei mais um, na Itália: o Hellas Verona. Outrora campeão italiano (1984-85) o meu amado Hellas vive uma situação difícil, na Terceira Divisão, lutando para não ser rebaixado.
      Mas o time, a seu modo, reage. Busca vitória, tenta jogar futebol. Ultimamente conseguiu alguns triunfos, mas um jogo me deixou encafifado: uma derrota em Foligno, contra o Foligno, por 2×1. Ouvi o jogo poruma rádio de Verona, via internet. O narrador - o grande Roberto Puliero - foi categórico ao afirmar que o Verona teve um pênalti não marcado quando ainda vencia por 1×0, e que esse pênalti poderia ter definido o jogo a nosso favor.
      Eu não vi a imagem. Eu ouvi pelo rádio (aquele velho meio de massa) e via internet - o meio das massas rápidas e engajadas. Busquei o vídeo no Youtube: o lance não é exibido. Que sinuca de bico. O jeito é esperar para ler os jornais - via internet - no dia seguinte. 
      E lá fui eu para o site do L’Arena, o jornal de maior circulação em Veneto. Cliquei na sessão "Sport". Não sei se o(a) amigo(a) sabe, mas imprensa esportiva italiana é famosa por não ser imparcial: os veronese torcem muito para o Verona. Enfim, li a matéria principal. Algo como "Hellas perde. Decisivo o árbitro". O texto é uma sucessão de argumentos: pressão da torcida caseira; pressão na equipe de casa, que não ganhava há quase 1 mês; uma derrota não prejudicaria tanto o Verona, já que seus adversários diretos perdiam.
      A matéria me convenceu de que o Hellas foi prejudicado. Para não ser injusto, porém, procurei um jornal de Foligno. Deu um trabalho, mas encontrei. Matéria principal: "Foligno vira o jogo" (claro que não nessas exatas palavras). Li a matéria: destacaram que foi um resultado normal, afinal o Foligno está na parte de cima da tabela e o Verona na de baixo. Nem citaram o tal pênalti.
      De alguma forma, fiquei inclinado a acreditar no que me diziam os meus, veronesi. E essa impressão me foi ainda mais reforçada depois que li, no di seguinte, uma matéria com Malesani - último técnico do Verona na Série A - sobre outro árbitro, que prejudicara seu time atual, o Empoli, na elite. "Este senhor já me fez cair uma vez", disse Malesani, obviamente se referindo a seu período no Hellas.
      Concluí, então, que o Verona é uma vítima das arbitragens, e usei isso como mote para justificar nossa situação difícil.  Concluí, ou os jornais concluíram? Concluí, ou os jornais concluíram por mim? Concluí o que os jornais queriam ou concluí o que eu quis, com base em alguns fatos dos jornais?
      Ainda fico me indagando isso. E ficarei sempre, quando lembrar da cara de bobo que fiz quando vi o lance da discordia, no vídeo (enfim) liberado no Youtube: não houve nada. Nenhum pênalti. O Foligno não foi senhor do campo, mas fez sua vitória com competência. O Hellas esteve bem, mas não fez o suficiente para ser o vencedor.
      Veria esse vídeo ainda dezenas de vezes, procurando uma mão, um empurrão, uma falta, um puxão de camisa. Nada.
      Dei o braço a torcer, muito a contra-gosto. Será que eu fui manipulado ou eu mesmo manipulei as informações que recebi das mídias para formar minha versão dos fatos?
      Desde a Escola de Frankfurt, muitos teóricos discutem a mídia. Na época de nossos amigos tedescos a mídia era encarada como uma forma de comunicar para massas, e as massas eram homogêneas, ou seja, responderiam todas da mesma forma a um mesmo estímulo. Um conceito claro de manipulação que chegaria, mesmo, à eliminação da personalidade e à simplificação das individualidades (complexas por natureza).
      A mídia cresceu, apareceu; mas, sobretudo, se organizou. A mídia é, sim, uma organização, um negócio, que visa lucro. Hoje, tudo é mídia. Aquela lata de lixo, na rua, virou um suporte para vender Responsabilidade Social ou Cidadania, por exemplo. O rádio se popularizou de tal forma que foi segmentado até em comunidades carentes - e com estúdios próprios. Os jornais que chegaram ao Brasil com tanto atraso hoje tem versões citadinas ou atpe bairrísticas. Nem no metrô podemos deixar de assistir TV. Nem no ônibus podemos não ler um cartaz.
      Perceba que estamos expostos a uma carga tão grande de informações que, num dado momento, teremos de linkalas aos nossos interesses, ou ao modo como gostaríamos que acontecesse. É o caso do pênalti de Foligno. Não foi - a imagem mostrou. Mas eu gostaria muito que tivesse sido, porque o Hellas precisava dos pontos. E o meu desejo de ter acontecido é de tal proporção que eu me cerco de todo o tipo de informação, de todo o tipo de lugar ou suporte, para justificar a minha visão.
      Quando ouvi o narrador da radio, desenhei uma imagem em preto e branco na minha cabeça. Um pênalti com um pouco de ruído. Quando li os jornais, falei com torcedores e visitei entrevistas e outros fatos, conclupi o que quis.
      Óbvio que estamos lidando com meios de trasmissão de mensagem altamente opinativos e que o L’Arena pode ter convencido muita gente de que o Verona foi prejudicado. Mas será que não era exatamente isso em que essa gente toda queria acreditar? Será que a mídia não foi um ombro de lamentações e disse o que essa pessoa gostaria de ouvir para poder sustentar sua tese - ainda que, no íntimo, soubesse que estava errada.
      Afinal, quem manipula o que, nessa história? Chego à conclusão de que nós somos mais poderosos que a mídia. Nós damos dinheiro e assunto para a mídia e podemos, a nosso gosto e prazer, consumi-la - de acordo com nosso grau de interesse.

criado por claudinhagiron    13:46 — Arquivado em: Sem categoria

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