
Fonte: Pedro Doria - www.nominimo.com.br
Hugh Marston Hefner nasceu em 9 de abril de 1926 em Chicago. Mais tarde, diria que seus pais eram protestantes, conservadores e não muito afeitos a carinho. Sua família não era de Chicago - vinha do Massachussetts, terra primeiro colonizada nos EUA pelos puritanos, de quem descendia. Ao completar 18 anos, alistou-se, mas a Segunda Guerra já estava praticamente encerrada e só lhe restou trabalho burocrático.
Formado, casou-se com a namoradinha dos tempos de secundário - era assim que se fazia nos EUA - e arranjou trabalho, primeiro como escritor de anúncios para uma loja de departamentos, depois no departamento comercial da ‘Esquire’, uma das revistas mais sofisticadas do país. Teve dois filhos com Millie: David e Christie.
Era a vida ideal de EUA naquele início de anos 50: o homem, de terno escuro, lentamente vai construindo uma carreira sólida. A mulher mantém a casa em ordem e toca a educação das crianças. Bem no princípio da carreira dele, uma hipoteca a juros baixos permite a compra de um automóvel e uma casa no subúrbio, daquelas com cerquinha branca, jardim gramado e muitos vizinhos iguais. O homem teria alguns casos extraconjugais ao longo da vida e a mulher fingiria não perceber.
Havia revistas masculinas, naturalmente. Falavam sobre caça, sobre pesca – sobre coisas masculinas, um universo sem mulheres. Como se a fase da infância em que meninos só andam com outros meninos e meninas com outras meninas tivesse de ser recuperada na idade adulta. Até por trabalhar na ‘Esquire’, uma revista inteligente que, no entanto, seguia este modelo, Hef parecia fadado a levar a vida padrão.
Só que, nos tempos de aluno da Universidade do Illinois, ele já publicava um jornal humorístico que tinha uma Coed of the month - a Aluna do Mês. Havia o jazz subterrâneo, o be-bop. Algo fazia com que ele se sentisse deslocado. Hefner costuma dizer que fez a ‘Playboy’ para gente como ele - mas isto não é exatamente verdade. Grandes revistas têm por fundadores gente que gostaria de ser algo; o público alvo é o ideal humano de grandes fundadores. Talvez justamente por ter este ideal mais nítido na cabeça do que quem vive um estilo de vida determinado, consigam tecer uma identidade editorial com mais clareza. Assim, o caipira Harold Ross fundou a ‘New Yorker’, ponto máximo do cosmopolitismo mundial. E o suburbano Hugh Hefner, marido comportado e descendente dos fundadores puritanos dos EUA, fundou a ‘Playboy’.