Mídia e Poder - Claudia Giron

Discute sobre Mídia e Poder, orientado pelo Profº Dr. Dimas A. Künsch - “Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem.” (Khalil Gibran)

4.8.08

A Favorita

A novela "A Favorita", da Globo, tem ocupado o assunto de muitas conversas por aí. Mas a verdadeira reviravolta está acontecendo atrás das câmeras. Depois de perder pontos de audiência para "Pantanal" e "Mutantes", a Globo resolveu jogar o jogo da Record e do SBT. Durante a programação se pode ver diversas inserções dramáticas e de suspense sobre a novela, para tentar atrair a atenção dos telespectadores. Recursos apelativos sempre usados pelo SBT.

É, dessa vez a "grande poderosa" teve que dar o braço a torcer e entrar na dança. Eu odeio essas chamadas espetaculosas, esses discursos sensacionalistas.. mas tô achando legal ver a Globo ser atingida no monopólio.. A novela da briga das emissoras está esquentando…

E agora, quem vai ocupar a posição de emissora favorita?

criado por claudinhagiron    23:21 — Arquivado em: Televisão

24.7.08

O Papel da Televisão

O texto abaixo são declarações de Patrick Lê Lay, publicadas em maio de 2004, na França. Na época, Patrick era o presidente do TF, o maior canal de televisão francês.

"O papel da televisão é ajudar a Coca-Cola a vender seu produto".

Existem muitas maneiras de se falar sobre televisão. Mas numa perspectiva ‘business’, sejamos realistas: basicamente, o papel [métier] de nosso canal de televisão é de ajudar a Coca-Cola, por exemplo, a vender seu produto", estima Sr. Patrick.

"Ora, para que uma mensagem publicitária seja captada, é preciso que o cérebro do telespectador esteja disponível. Nossas emissões têm como vocação [missão] torná-lo disponível: quer dizer diverti-lo, relaxá-lo para prepará-lo entre duas mensagens [propagandas]. Aquilo que vendemos à Coca-Cola, é [parte do] tempo de cérebro humano disponível", prossegue o presidente do canal.

"Nada é mais difícil do que obter esta disponibilidade. É aí que se encontra a mudança permanente. É preciso buscar permanentemente programas que funcionem, seguir as modas, surfar sobre as tendências, num contexto em que a informação se acelera, se multiplica e se banaliza. A televisão é uma atividade sem memória. Se comparamos esta indústria à indústria de automóveis, por exemplo, para um construtor de automóveis, o processo de criação é bem mais lento; e se seu veículo é um sucesso, ele ao menos terá tempo de saboreá-lo. Nós nem temos tempo pra isso", constata Patrício T.F.

"Tudo passa pelos índices de audiência. Nós somos o único produto no mundo que ‘conhece’ seus clientes por segundo, depois de um prazo de vinte e quatro horas", goza enfim o presidente T.F.

criado por claudinhagiron    14:58 — Arquivado em: Televisão

26.5.08

Televisão: Médico ou Monstro?

Desde sua criação, a televisão causa polêmicas. Que tipo de contribuição ela traz à sociedade?

Existem diversos estudos sobre o assunto e, em geral, são extremistas.
Uma das críticas mais comuns a esse veículo de comunicação é a de que a tevê acomoda seus telespectadores, ao despejar informações prontas. Também é verdade que a sociedade sofre uma grande influência e muitas crianças aprendem a criar referências por meio dessa mídia. Mas será que a televisão tem sido tão prejudicial ao desenvolvimento humano?

O que em parte justifica tantos conflitos de opinião é que a televisão é extremamente complexa. Existem diversos tipos de linhas de análise quando tratamos de sua qualidade, o que permite estudá-la de muitas maneiras: por meio da tecnologia, como difusora de informação e conhecimento, referência na educação, pela programação, por influência social, produto cultural, etc. Em todas essas áreas é fácil encontrar pontos positivos e negativos.

O cientista político italiano Giovanni Sartori escreveu o livro “Homo videns”, utilizando uma linguagem de protesto contra a televisão. Ele alega que a tevê causa uma imbecialização, prejudicando o raciocínio e a inteligência. Suas previsões de catástrofe midíática não se restringiram apenas à tevê, mas também alcançaram a Internet e as plataformas multimídias. Porém, as idéias expressas no livro receberam duras críticas de jornais e especialistas da área. Seria um protesto preconceituoso ou um alerta pessimista?

Se por um lado a televisão é um meio que transmite informações prontas, por outro pode produzir obras culturais e programas com excelente qualidade de conteúdo.

O escritor Arlindo Machado rebate manifestações como a de Giovanni Sartori dizendo que a televisão não é o “monstro” que pintam. Segundo ele, o problema é que os intelectuais a estudam com preconceito vanguardista e a consideram apenas como meio de massificação, fazem teses gerais, mas não avaliam especificamente os conteúdos, que são muitos. Quando se refere ao assunto, ele justifica: “O fenômeno da banalização é resultado de uma apropriação industrial da cultura e pode ser hoje estendido a toda e qualquer forma de produção intelectual do homem”.

O poder que a tevê tem de massificar e acomodar o pensamento é tão grande quanto o que tem para gerar e difundir cultura. Embora grande parte de sua programação seja massificadora, não é correto generalizar a televisão como produtora unicamente de obras ruins. Existem canais culturais e programas isolados que estimulam o aprendizado e o desenvolvimento intelectual.

Embora esses programas não sejam tão valorizados comercialmente, não dá para desconsiderar o fato de que a tevê é a mídia com maior alcance entre os brasileiros e até as baixas audiências significam um grande número de pessoas recebendo a informação. Ou seja, mesmo que um programa de qualidade tenha baixos pontos de audiência, ainda assim ele está atingindo inúmeras de pessoas.

Portanto, é difícil definir o papel da televisão de uma forma generalizada, mas é possível definir sua contribuição em diversos setores sociais, desde que sejam considerados todos os prós e contras, ponderando as linhas de opiniões, já que as teses especialistas são tão controversas.

criado por claudinhagiron    11:09 — Arquivado em: Televisão

18.4.08

Mídia - Imagem Real?

Foto manipulada pela revista Isto É

Quais os caminhos adotados pela mídia em um universo tomado por letras, imagens e sons?

É possível comparar as expectativas que havia sobre a fotografia em seu surgimento e sua atual aplicação.

De fato a fotografia parecia trazer a solução para o que se pode chamar de desvio da realidade. Pela lógica, chega-se à conclusão de que a fotografia não permite mentiras ou enganos porque é a reprodução real da cena.

Porém, da mesma forma que o homem subverteu a escrita, também o fez com a fotografia. O domínio da técnica e a criação de conceitos permitiram que o fotógrafo entendesse que ele fazia uma reprodução da cena real, mas que também lhe era possível escolher de que forma retratar essa cena. Isso pode ser feito simplesmente com manipulação de luz, de objetos ou com escolha de ângulos. Além disso, a compreensão de como fazer ou alterar uma imagem chegou a tal ponto que, hoje, pode-se mais que escolher o ângulo. É possível montar e desmontar a cena valendo-se de tecnologia digital.

A atualidade chegou ao que o sociólogo polonês Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida”, um conceito de velocidade e dinâmica que se misturou à vida moderna. A fotografia se destacou no cenário das comunicações e se transformou de tal forma que deixou a estática para se tornar animada, ao ser aplicada em uma velocidade imperceptível aos olhos. A utilização de imagens seqüenciais nesses parâmetros é a fórmula do vídeo.

Esse domínio da técnica e de uso ultrapassou seus próprios limites e hoje muitas das discussões deixaram a mídia impressa e se voltaram para a televisão, que teve sua origem na fotografia.

A TV e a sociedade interagem de forma que uma altera a outra num ciclo vicioso. Informações e tendências difundidas pela TV influenciam a atitude da sociedade ao mesmo tempo em que a sociedade inspira e modifica a televisão. E esse ato frenético de troca de influências gerou o cenário atual, onde a grande chave é muita informação e pouca complexidade. A vivência da “modernidade líquida” não deixa espaço para que o público se detenha em assuntos complexos. Tudo precisa ser muito rápido e se enquadrar no formato “quantidade x velocidade”.

O resultado é uma invasão de imagens diversas, sem um conteúdo profundo e produtivo. Um acúmulo de informações, visuais ou não, que não preenchem as necessidades individuais. Todos os dias, as pessoas recebem milhares de mensagens que não vão interferir em suas vidas. É um fenômeno que faz com que quanto mais se consome, mais se quer consumir. E esse espaço nunca é suprido.

Nos dias atuais, tudo precisa de um conceito televisivo para existir e funcionar. A grande maioria dos agentes sociais conhece essa tendência e tenta se enquadrar na “televisibilidade”. São diversas as características e os processos que foram desencadeados pela televisão. Entre eles, o aumento da possibilidade de manipulação, que vai desde a atuação do “personagem”, passando pelo cenário e contextualização, até chegar na edição. Após a edição feita pelo veículo, ainda há o teste do zapping.

Como confiar e administrar os casos gerados por essa nova realidade midiática? O público fica preso à correnteza de acontecimentos que surgem desse cenário, intermediando e contribuindo inconscientemente para esse processo.

criado por claudinhagiron    10:36 — Arquivado em: Televisão

9.4.08

Mídia no Divã

Nosso compromisso é com a verdade e a imparcialidade.

Esse é o discurso de muitas mídias, mas será que os profissionais estão levando esse lema a sério? O fato de que existe um ser humano intermediando o objeto e o receptor da mensagem parece não ser considerado nesse discurso. 

Há uma necessidade de avaliação crítica da linguagem utilizada na mídia. Refletir sobre a consciência ao produzir um conteúdo e, sobretudo, qual o impacto que ele causa uma vez que a “sociedade virtual”, fruto de mídias como a Internet e a televisão, influencia a “sociedade real”.

Por mais que o comunicólogo produza a mensagem sendo o mais imparcial possível, ainda haverá indícios de opinião, afinal a percepção humana é inerente a todos e individual.

É preciso analisar a interação do público com a mídia. Como as pessoas recebem as informações: em qual formato (textos, imagens, áudios), com qual velocidade isso os atinge e que percepção é gerada.

Além da visão da produção midiática e de como evitar a parcialidade, também entra em análise a geração dessa “segunda dimensão”, onde as pessoas têm um contato maior com o mundo virtual que através da experiência direta. Qual a ponderação dessa vantagem?

Hoje, principalmente por causa da globalização, pode-se conhecer diferentes partes do mundo. Os brasileiros sabem sobre japoneses, australianos, mas através da visão de quem? Até onde o avanço da comunicação beneficiou e até onde prejudicou a humanidade?

Nota-se que as pessoas aceitam enxergar o mundo através dos olhos da mídia e, na maioria das vezes, sem se preocupar de onde vem a informação. Por outro lado, qual a preocupação desses que fazem o papel de “olhos” com a responsabilidade de transmitir a realidade? Como fazer com que essa verdade, que através do olhar humano se torna relativa, chegue ao receptor final o mais fielmente possível? Não é apenas um comportamento da massa, mas também os próprios envolvidos na mídia deixam de se importar com as fontes e parecem aceitar qualquer informação que lhes aparece. Um bom exemplo disso está nos veículos que sintetizam ou simplesmente fazem pequenas alterações nas notícias de outros, sejam concorrentes ou parceiros.

A mídia está fadada a vir de fonte única, de um ponto de vista diferenciado apenas por sinônimos?

Embora seja praticamente impossível representar a realidade, é preciso ter ao menos diversas fontes e opiniões para que se possa avaliar os objetivos e a fidelidade dos fatos narrados por cada veículo.

criado por claudinhagiron    10:42 — Arquivado em: Televisão

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